Dados Concretos

As quebras no Turismo variam entre os 70% e chegam aos 100%  em alguns casos.

O AL Registou quebras de Faturação de 75% em 2020.

Em Lisboa e no Porto (cidades onde tem a maior expressão), as quebras variam entre os 85 e os 90%.

Em relação a novos registos, o número não era tão baixo desde 2014.
Lisboa teve em 2020 483 novos registos e 597 cancelamentos. O Porto registou 675 novos registos e 668 cancelamentos.

Apesar de todos os contratempos e falta de receitas, 74% dos proprietários têm intenção de continuar ou voltar ao AL.

A nível nacional

O Algarve e algumas zonas do interior no Norte, centro e Alentejo, reduziram no verão o impacto da quebra de turistas e receitas e cresceram face ao ano anterior. No entanto, a partir de Setembro/Outubro a sua atividade também caiu e o negócio estagnou.

Esta crise é transversal a todos os que de forma direta ou indireta dependem do turismo.

A Reação do sector

Para fazer face ao imediato, muitos viraram-se para o arrendamento a médio prazo. Aluguer a estudantes, nómadas digitais, recém divorciados, jovens casais entre outros.

 Arrendamento de longa duração. Agentes imobiliários e algumas entidades, pressionam e aconselham nesse sentido sobretudo nas grandes cidades. Baseiam-se na incerteza da retoma e sugerem que o arrendamento é mais seguro que o investimento no turismo. Segundo dados da Alep,  apenas 10 a 15% dos proprietários migrou para o arrendamento de longa duração.

Os programas de arrendamento público. Menos de 5% dos proprietários admitem aderir a programas de arrendamento público, aliás o Renda Segura tão divulgado pela CML ficou muito aquém das expectativas; mais uma vez os proprietários não confiam nas autoridades. Estes programas não protegem os seus interesses.

Motivos da resistência ao Arrendamento de Longa duração

  • Quebra de rendimentos em relação ao AL;
  •  Falta de confiança no Estado e na legislação do arrendamento. (Na última revisão, os contratos têm um mínimo de um ano, e passam a ser renovados por um período de 3 anos, salvo acordo entre as partes);
  • As moratórias das rendas;
  • Motivos relacionados com a vida pessoal (possibilidade de usufruto da habitação);
  •  Especificidades dos imóveis que não se adequam ao arrendamento de longa duração;
  • Perda da licença de AL;
  • Mais-valias de desafetação (embora a lei do OE 2021 tenha sido alterada, o novo regime estipula que apesar de só ser tributada a mais valia no acto da venda, é cobrado um novo imposto. No momento em que se abandona a atividade é necessário pagar um imposto que terá de ser pago em função do valor patrimonial do imóvel e que será multiplicado por todos os anos em que o imóvel esteve em atividade);
  • A manutenção dos imóveis;
  • Crença na retoma do turismo e o desejo de voltar à atividade.

E Agora? -Os novos desafios do AL

Quem conseguir  resistir têm ainda novos desafios pela frente. Os intervenientes políticos querem diminuir a pressão turística nos centros das cidades, apesar do Turismo ser um sector vital na nossa economia.

Esta questão pode no entanto ser benéfica para as regiões à volta das cidades, que podem vir a tirar um ainda maior partido do Turismo.

Este é um negócio ser feito de pessoas para pessoas. Apesar disso, era Digital é uma realidade. A experiência já não pode ser dissociada da tecnologia. Há que estabelecer novas formas de comunicar através dos meios digitais. Um desafio e uma oportunidade para os operadores de Alojamento Local.

A sustentabilidade ambiental também entrou pela porta principal, e veio para ficar. Os operadores terão de encarar o tema como uma oportunidade, adaptar as suas unidades e a forma como gerem o negócio a esta nova realidade. O Turista está hoje mais atento e sensível às questões ambientais.

O Turismo de Portugal está a preparar um plano de Turismo sustentável 2023, que conta já com mais de 70 medidas que promovam a sustentabilidade. http://business.turismodeportugal.pt/pt/crescer/sustentabilidade/Paginas/plano-sustentabilidade-turismo-2020-2023.aspx

É fundamental promover um Turismo sustentável.

Como? Através da criação de boas práticas.

Desde a gestão eficiente dos recursos energéticos,  promoção da economia circular, redução da utilização de plásticos,  uso de detergentes não poluentes, sensibilização dos profissionais e turistas.

Num artigo de opinião do Publituris, Ricardo Miranda, Founder and Creative Partner da Wonder Why, refere:

“É fundamental perceber o que se fez de novo: claro que as novas regras sanitárias surgem à cabeça (selos de segurança, desinfeção rigorosa, ligação a unidades de saúde, etc.), mas não chega. O que fizemos de novo em termos de turismo sustentável? Que novos projetos de turismo foram lançados em pandemia que mostram visão e coragem? Que produtos e serviços fruto da inovação pura foram lançados? Houve exemplos em que fomos pioneiros?” por Por Ricardo Miranda, Founder and Creative Partner da Wonder Why jornal Publituris https://www.publituris.pt/2021/02/19/opiniao-portugal-precisa-de-cabeca-fria/

São estas as duas grandes áreas a desenvolver, nomeadamente pelos proprietários e gestores de AL: Inovação tecnológica e Sustentabilidade.

Torna-se ainda necessária a união e cooperação entre profissionais  do AL, que contribuiu no passado para o desenvolvimento do  Turismo, e que enfrenta o desafio da retoma com uma nova preocupação: a Sustentabilidade.

Finalmente, destaco a qualidade como factor de diferenciação. Há que estabelecer um compromisso qualidade/preço. Portugal é um país que sabe receber, temos de nos fazer valer das nossas competências, do nosso produto que é muito bom na larga maioria dos casos, e apostar num serviço de excelência e qualidade, ao promover mais do que Alojamento. O turista é exigente, escolhe o AL porque procura uma experiência diferenciadora a qual devemos estar preparados para proporcionar.

Espero que este post tenha ajudado. Deixe o seu comentário na caixa. Obrigada e até breve.

Patrícia

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