Fast Fashion: Uma indústria insustentável em crescimento

A indústria Têxtil teve um crescimento muito elevado nas últimas 2 décadas, tendência que se começou a popularizar nos anos 70, com o aparecimento da Fast Fashion– 5 razões para recusar.

De acordo com a  Comissão Económica das Nações Unidas, 40% da roupa que temos no armário não é usada, ou foi usada uma única vez.

Só na União Europeia,  a Indústria Têxtil empregou em 2019 1,5 milhões de pessoas e gerou receitas no valor de 162 mil milhões de Euros. Cada Europeu consome anualmente uma média de 26Kg de têxteis. https://ec.europa.eu/growth/sectors/fashion/textiles-and-clothing-industries/textiles-and-clothing-eu_en.

Estes dados revelam a importância de um sector que se vê  confrontado com os desafios do Desenvolvimento sustentável, em particular a sustentabilidade ambiental e social.

Fast Fashion- 5 razões para recusar

A indústria têxtil consome grandes quantidades de água potável, a produção de algodão ocupa grandes áreas de terreno e utiliza químicos com efeitos nocivos para os solos, agricultores e consumidores. A indústria contribui largamente para a poluição de rios e oceanos, emissão de Gases com Efeito de Estufa (GEE) e descarte em aterros e lixeiras, sendo a 2ª indústria mais poluente.

Para produzir uma única Tshirt são necessários cerca de 2700 litros de água, que equivalem a um consumo humano de cerca de 3 litros de água por dia durante aproximadamente 2 anos e meio. A água potável é um recurso cada vez mais escasso no planeta. https://www.europarl.europa.eu/news/en/headlines/society/20201208STO93327/the-impact-of-textile-producti

A indústria têxtil contribui largamente para a poluição de rios e oceanos, emissão de Gases com Efeito de Estufa (GEE) e descarte em aterros e lixeiras, sendo a 2ª indústria mais poluente a nível mundial.

A Indústria Têxtil contribui ainda com 10% do total das emissões de GEE para a atmosfera, sendo  o 2º sector industrial mais poluente, número superior às emissões conjuntas da aviação e transportes marítimos.

Estima-se que sejam lançados para os rios e oceanos cerca de 0,5 milhões de toneladas de microfibras têxteis anualmente só com as lavagens de roupa, o que significa 35% da poluição ambiental gerada por microplásticos, já que 60% das fibras têxteis usadas hoje em dia têm origem sintética (plástico).

A roupa é produzida rapidamente e em larga escala, são utilizados materiais de baixa qualidade, muitas vezes fibras poliester de origem sintética o que torna as peças com preços competitivos, facilmente acessíveis para o publico em geral, mas que dura pouco tempo, em geral 2 ou 3 estações. Defeitos como costuras tortas, roupa que deforma rapidamente ou o aparecimento de buracos são frequentes.

Com o fim de garantir preços acessíveis, as empresas do setor cedem à pressão da globalização e concorrência, sobretudo nos países asiáticos, onde as condições de trabalho e os salários são verdadeiramente precários.

As condições de trabalho em muitas fábricas põem em causa a saúde dos trabalhadores: salários muito baixos, recurso a mão de obra infantil e até escravidão; longas horas de trabalho, condições decadentes,  exposição a produtos químicos nocivos para a saúde, e abusos físicos. As grandes marcas como a GAP; ZARA, H&M entre outras, por pressão da opinião pública e após vários escândalos e denúncias mundiais, têm vindo a alterar a sua política de contratação, no entanto existe ainda um longo caminho a percorrer neste campo.

Segundo o Relatório de Dados sobre Resíduos Urbanos da  Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em Portugal, no ano de 2020, foram   descartadas cerca de 200 000 toneladas de roupa, que acabou em aterros ou foram encaminhadas para incineração. Este valor representa cerca de 3,78% de todos os resíduos produzidos ( 5,279 milhões de toneladas) , https://apambiente.pt/residuos/dados-sob Parte destes resíduos podiam se evitados.

O envio para aterros gera emissões de CO2 e outros gases, para além da poulição dos solos.

Várias empresas viram no descarte uma oportunidade de negócio, e criaram os contentores de roupa, alegadamente destinados a doação a empresas de caridade. No entanto, não há procura suficiente para toda a roupa doada e uma parte da roupa recebida é encaminhada para as instituições sociais e para os centros de apoio das Juntas de Freguesia, para serem ou distribuídas por famílias carenciadas, ou vendidas. Uma parte é vendida nas nossas feiras e mercados e   lojas de roupa usada, e uma pequena parte segue para reciclagem, na sua maioria para enchimentos de estofos e colchões, pois a reciclagem das fibras têxteis nem sempre é possível devido aos vários tipos de fibras existentes na mesma peça.

A grande maioria é exportada para África, onde é vendida ( ainda que a preços acessíveis) nos mercados de rua, mas gerando também um problema grave de poluição ambiental nos países africanos, já que estes mercados também não conseguem absorver as toneladas de roupa que chegam diariamente. Muita já não chega em boas condições e é remetida para lixeiras a céu aberto, acabando parte dela nos rios e mares.

Um tema para refletir, Até breve,

Veja esta reportagem da SIC,sobre o descarte da roupa que é doada para os diversos contentores de roupa espalhados um pouco por todo o lado. As consequências são alarmantes, e devastadoras. “A Roupa dos brancos mortos”.

Fast Fashion
Descarte fast fashion

Patrícia

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