No meu último post falei de compostagem doméstica: o que é, como se faz, dúvidas frequentes, dicas para um melhor resultado.

Hoje venho falar sobre a minha experiência.

Como tudo  começou

A primeira vez que ouvi falar de compostagem em ambiente urbano, foi numa aula de Alemão, num texto do livro (tinha então 14/15 anos).  A professora explicou à turma que era um hábito dos alemães e fiquei de tal forma impressionada com o tema, que nunca mais o esqueci.

Nos anos 80, a sustentabilidade não era assunto. O que importava era o consumo, deitar fora, descartar, repudiava até tudo o que tinha a ver com reutilização: Guardar e aproveitar era para as minhas Avós (afinal elas tinham razão)!

Quando em Janeiro iniciei o caminho consciente para uma vida mais sustentável, era uma meta a atingir no final do ano. O compostor significava para mim um dos objetivos mais difíceis de alcançar, uma espécie de “bicho de sete cabeças”, a ideia era introduzir pequenas mudanças de cada vez.

No início do ano, cruzei-me com uma acção de formação e entrega de compostores promovida pela câmara de Oeiras e pela Tratolixo (empresa de recolha de resíduos em Oeiras, Cascais e Sintra), e trouxe para casa o meu compostor no dia 15 de Fevereiro.

O dia a dia da compostagem

A compostagem requer disciplina e tempo.  Cá em casa consumimos muitos legumes e frutas, encho um balde de 10litros todas as semanas. O compostor tem de ser revolvido  uma vez por semana para despejar os resíduos. Demora entre 15 a  20 minutos. 

Todos os dias,  apanho no jardim todas as folhas caídas, e seco a relva quando é cortada para a juntar à camada castanha.

Se não tiver folhas secas suficientes, vou buscar a jardins públicos (uso sempre luvas).

Contratempos/Desafios/Dificuldades

Tenho um compostor grande, é difícil revolver por completo a pilha, o arejador de compostor é mesmo útil. https://www.leroymerlin.pt/Produtos/Jardim/Maquinas-de-jardim/Acessorios-de-maquinas/Acessorios-para-compostores/WPR_REF_16013305 O arejamento é muito importante, a pilha fica menos  compacta   e não ganha mau cheiro.

Ao fim de uns meses tinha frequentemente mosquitos dentro do compostor, numa pesquisa rápida percebi que é normal, ainda assim cheguei a pensar que estava a fazer algo de errado.

Hoje em dia queremos tudo para ontem; é necessária paciência para esperar 5 meses para obter resultados.

 A reação da família

Envolver a família foi muito fácil, estão habituados à reciclagem, não se enganam no caixote, mas as minhas filhas não se aproximam do compostor, nem por curiosidade.

 A minha mãe junta cascas e trás regularmente. Já levou composto para as suas plantas.

                                        8 meses depois

Desde Julho que retiro frequentemente adubo do compostor.

Ao regressar de férias em Agosto, uma planta da sala estava murcha e quase sem folhas. Deitei-lhe o fertilizante e dois meses depois está linda e saudável.

Hoje em dia o meu lema de vida é “Keep life simple”; a compostagem permite isso, contribuir para a sustentabilidade de forma simples ao aproveitar e transformar o lixo doméstico.

O Entusiasmo é grande, já ando a ler sobre compostagem de “presentinhos de cão” e a considerar a hipótese de iniciar também esse processo. São demasiados saquinhos…..

No Inverno, devido à baixa temperatura o processo é mais lento; noto que a pilha não aquece tanto.

A compostagem veio para ficar.

Em 2021 introduzi um pequeno compostor no meu apartamento de Alojamento Local. Os primeiros clientes não utilizaram; então coloquei um cartão junto do compostor a pedir aos hóspedes para colocarem os desperdícios alimentares dentro, com indicações do que colocar. A adesão desde aí tem sido a 100%.

Considero que a maior mudança foi a compostagem, escrevi um post sobre o assunto em Setembro, reduzi em muito o lixo gerado (considerando que cerca de 40% do lixo doméstico é orgânico).  Hoje em dia consumimos e desperdiçamos menos. Há ainda um longo caminho a percorrer essencialmente no que toca ao supermercado. A mudança na higiene diária também foi significativa. Com alguns contratempos, o balanço é positivo. Acima de tudo tomei consciência de que consumimos em excesso e que tal não é sustentável num futuro próximo.

Obrigada e até breve.

Patrícia

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